Ícaro acadêmico
Em seu excelente como se faz uma tese, umberto eco antecipa um dos (muitos) pequenos dramas que acometem quem se lança em venturas acadêmicas. Assim, ao entrar num mestrado querendo estudar a geologia no mundo de hoje, você inevitavelmente acabará entregando uma dissertação sobre um vulcão específico na península sul do méxico. D? ?O papel do símbolo no mundo contemporâneo?, ao ?conceito de símbolo na obra de Jean de Simbole segundo a crítica pós-construtivista dos anos 80?. E por aí vai.
Como bem diz o autor, não importa assim que o tema seja "o perfil dos compradores da banca da esquina das avenidas faria lima com a rebouças de 1982 a 1987?, desde que você seja a pessoa que, ao longo da pesquisa, mais entenda do tema. Só que tal fidelidade cobra seu preço, qual maldição que conhecidamente acomete a maioria dos acadêmicos (e a qual identifiquei em diversos colegas e já começo a vislumbrar com meus próprios interesses).
Quanto mais você estuda o objeto escolhido e mais se aproxima a data de entrega, mais intenso fica o desgaste de ler-mais-um-autor-sem-o-qual-a-tese-ficará-incompleta, revisar-aquele-capítulo-que-ficou-ruim, lembrar-quem-disse-o-que, jogar-todos-os-assuntos-que-você-considerava-fundamentais
-mas-não-entendeu-para-as-notas-de-rodapé-como-sugetão-para-estudos-futuros, entroutros percalços inevitáveis.
E aí chegamos ao paradoxo da depressão-pós-parto-intelectual: escolher estudar um tema do qual se gosta contribui, em grande medida, para que o mesmo se torne quase insuportável após a conclusão da dissertação.
Como bem diz o autor, não importa assim que o tema seja "o perfil dos compradores da banca da esquina das avenidas faria lima com a rebouças de 1982 a 1987?, desde que você seja a pessoa que, ao longo da pesquisa, mais entenda do tema. Só que tal fidelidade cobra seu preço, qual maldição que conhecidamente acomete a maioria dos acadêmicos (e a qual identifiquei em diversos colegas e já começo a vislumbrar com meus próprios interesses).
Quanto mais você estuda o objeto escolhido e mais se aproxima a data de entrega, mais intenso fica o desgaste de ler-mais-um-autor-sem-o-qual-a-tese-ficará-incompleta, revisar-aquele-capítulo-que-ficou-ruim, lembrar-quem-disse-o-que, jogar-todos-os-assuntos-que-você-considerava-fundamentais
-mas-não-entendeu-para-as-notas-de-rodapé-como-sugetão-para-estudos-futuros, entroutros percalços inevitáveis.
E aí chegamos ao paradoxo da depressão-pós-parto-intelectual: escolher estudar um tema do qual se gosta contribui, em grande medida, para que o mesmo se torne quase insuportável após a conclusão da dissertação.









2 Comments:
At 22:02, Carolzinha said…
Fernando, depois de ler os sábios comentários do Prof. Umberto, e tendo vivido essa jornada já quase completa - mas q mesmo assim parece mto longe de terminar - só uma mensagem me vem à cabeça: "lasciate ogni speranza, voi ch'entrate"...
At 09:36, Fernando said…
hum... tecla sap, alguém, per favore??
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