9.22.2005

Meta-memória

À medida que cada vez mais atividades diárias são modificadas pela internet e outras tecnologias, mais fica claro uma noção de memória expandida. Não, não estamos falando da memória RAM ou de HD ? que, por definição, nunca são grandes o suficiente. Mas sim de memória mess, daquela errática característica que faz você se lembrar de um telefone de um amigo mudado há mais de 10 anos e se esquecer do aniversário do seu melhor amigo, namorada, mãe, sei lá.

O google, por excelência, e já sem nenhuma novidade, dá conta dessa noção. Pra que lembrar, pra que saber onde está algo se sabemos que tudo está a um search de distância? Vc não precisa ter, em seu cérebro, uma ?etiqueta? lembrando que o livro-que-vc-gostou-e-que-ganhou-no-natal está na estante da sala. Basta lembrar do mínimo "nuclear" do livro.

Pois é essa idéia de etiquetas que começa a revolucionar como ouvimos músicas, vemos filmes, etc. Pois se classificar, agrupar e separar sempre foi uma das principais funções da memória, agora essa tarefa é por demais facilitada ? e ampliada ? com as meta-tags (literalmente, meta-etiquetas) que cada vez mais programas e sites começam a ter. Blocos de informações contendo informações sobre um dado objeto virtual.

A wikipedia, enciclopédia-free-colaborativa objeto de extrema admiração deste que vos escreve, passa por aí. As classificações do last.fm, serviço comentado abaixo, também. Pra que se ater a classificações como rock, pop, world music, se uma lista com etiquetas auto-atribuídas trazem resultados muito mais ricos e inesperados? Que outra classificação dessas tradicionais reuniria músicas de Claude Debussy, Thievery Corporation, John Creamer & Stephane K, Moloko, Erik Satie, Massive Attack, dj vibe, Frou Frou (hein?), Zero 7? Claro, a lista de bons autores =]

Não surpreende, então, que se gaste tanto tempo hoje organizando essas informações de um jeito que faz sentido pra você ? e isso, de um jeito cada vez mais fácil. Não ouço música hoje exclusivamente no computador só pq é mais prático, mas também pq posso dar nota, atribuir um gênero, dar uma tag, ver o que outros acham da música, procurar letra, criar listas, compartilhar listas...

A própria amazon, contando mais com poder de processamento e rotinas estatísticas do que com sabedoria social, também traz resultados bem interessantes com suas frases estatisticamente improváveis. A lógica é que frases importantes em um dado livro aparecerão mais vezes neste livro do que em outros, e aí uma lista é montada, a partir da qual você pode procurar outros livros em que essas frases também aparecem. É um jeito automático de criar meta-tags...


Enfim, até conceito mezzo-acadêmico isso já tá virando - chama folksonomia.
onde tá? na wikipedia, lógico! agora, lembre-se: da próxima vez que vc classificar um filme como "água-com-açúcar-mas-legal", um amigo como "amigão-praquelas-horas", um show como "caro-mas-inesquecível" ou um restaurante como "bbb-bom-barato-e-bonito", pense que mais gente pode ter opiniões parecidas - ou não - e que, quem sabe em não muito tempo, vc terá vários jeitos de compartilhar suas tipologias de mundo com todos, e vice-versa. mundo que há de ser interessante, esse...

5 Comments:

  • At 15:20, Delsio said…

    Putz ,Fernando, isto não causará espanto em você porque já se apoderou de alguns neologismos internéticos, mas ontem eu "cai" nesta tal de "last.fm" e ainda agora devido a lembrança da Srta. Júlia escavei a "vida" de Mary Tyler Moore na Wikipédia!!!!
    Quando tropecei na last.fm fiquei me peguntando pra servia, mas não dei atenção nem li sua proposta!
    Está um pouco mais claro agora, talvez uma lampada de 2 velas tenha se acendido em mim!
    Enquanto eu tateio, grato pelas luzes das Cidades Invisíveis!

    Abração!

     
  • At 14:16, madame said…

    Frou Frou é legal!

     
  • At 10:41, Mecão said…

    Pois é, French, naquele livro que eu estava lendo, "A Beleza das Máquinas", o autor (David Gelernter) gasta alguns capítulos descrevendo como seria a revolução do desktop. Deu o nome de Lifestreams e é algo totalmente baseado em etiquetas, que são organizadas no tempo, num fluxo contínuo, hospedado na web. O próprio sistema operacional seria online.

    Não curti muito o ponto de vista desse cara nos outros assuntos, mas acho que essa idéia de desktop "vida paralela" rola total.

     
  • At 10:44, Mecão said…

    Pois é, French, naquele livro que eu estava lendo, "A Beleza das Máquinas", o autor (David Gelernter) gasta alguns capítulos descrevendo como seria a revolução do desktop. Deu o nome de Lifestreams e é algo totalmente baseado em etiquetas, que são organizadas no tempo, num fluxo contínuo, hospedado na web. O próprio sistema operacional seria online.

    Não curti muito o ponto de vista desse cara nos outros assuntos, mas acho que essa idéia de desktop "vida paralela" rola total.

     
  • At 18:42, Tiago K said…

    Fê, me inscrevi na last, meu nick é tiagok (original, he); qual é o seu? beijoca!

     

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